Por Milton Filho

Localizada no interior do Mato Grosso, mais precisamente na cidade de Querência, a Fazenda Roncador já foi considerada por muito tempo como a maior do Brasil. O local começou como visão de um empreendedor que desafiou as limitações do setor pecuário brasileiro. Pelerson Soares Penido adquiriu a propriedade em 1978 e iniciou a implantação de uma estrutura que cresceria para 152 mil hectares em seu auge.
A área ocupava mais espaço que toda a Região Metropolitana de São Paulo, com 152 mil hectares e infraestrutura que incluía aeroporto próprio. Penido tinha 60 anos quando iniciou o projeto, no final da década de 1970. Já com experiência como engenheiro civil e trajetória como ex-tropeiro, conseguiu implementar um modelo pecuário considerado como revolucionário para a época.
A propriedade evoluiu para uma estrutura com 607 quilômetros de estradas pavimentadas. E mais de 800 quilômetros de vias internas que conectavam uma infraestrutura completa: escolas, supermercados, igrejas e quadras esportivas para os residentes.
Integração sustentável da Fazenda Roncador
Há pouco mais de dez anos, iniciou-se a implantação da Integração lavoura-pecuária (ILP), com novas práticas de gestão e uma nova compreensão da relação com o meio ambiente. A transformação introduziu um sistema que integrava lavoura, pecuária e florestas de forma combinada.
Os resultados dessa transformação impressionaram: a produção cresceu sem o desmatamento de árvores nativas, reposicionando a propriedade como referência em rentabilidade associada à preservação ambiental.
Apenas em 2019, a fazenda produziu 5.200 toneladas de carne e 166.256 toneladas de soja, alcançando resultados que representavam um aumento significativo em relação aos períodos anteriores.
O sistema 4p e seus mecanismos de simbiose
A Integração adotada une plantas, pecuária, pessoas e planeta em um ecossistema único denominado sistema 4P. A soja, por ser uma leguminosa, fixa nitrogênio no solo e favorece o crescimento das pastagens, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos.
A palhada resultante da colheita permanece como adubo natural, protegendo o solo da erosão. Essas práticas agrícolas funcionam em simbiose: o gado se alimenta das pastagens enriquecidas, enquanto seus resíduos devolvem nutrientes ao solo. A propriedade atual, após divisão entre herdeiros, soma 53 mil hectares, dos quais aproximadamente metade abrange matas nativas e áreas de proteção permanente.
E áreas de proteção permanente que funcionam como sumidouros de carbono. Segundo levantamento da Pangea Capital de 2018, a propriedade captura mais de 89 mil toneladas de carbono. Conforme apurado, a produção da fazenda retira mais gases poluentes da atmosfera do que coloca desde 2009.
Estrutura e escala atual da propriedade
A Fazenda Roncador consolidou-se como um marco da agropecuária brasileira ao demonstrar um modelo onde modernização tecnológica e práticas sustentáveis se combinam para aumentar a produtividade.
A infraestrutura interna reflete a ambição do projeto original: funciona como aglomerado autossuficiente com centenas de quilômetros de estradas pavimentadas. Inclui aeroporto próprio e cerca de mil moradores vivendo na propriedade.
O modelo desenvolvido oferece um blueprint para a reinvenção do agronegócio brasileiro. Isso vai demonstrando que rentabilidade, preservação ambiental e responsabilidade social são objetivos compatíveis e alcançáveis no mesmo espaço produtivo.
Leia a matéria na íntegra em: https://www.diariodepernambuco.com.br/dptrends/ela-ja-foi-considerada-a-maior-fazenda-do-brasil-tinha-152-mil-hectares-centenas-de-quilometros-de-estradas-e-ate-aeroporto-dentro-da-propriedade/
